segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
domingo, 22 de novembro de 2015
Observação II - Cena
Transcrição:
C1
Ensaio
aberto na escola Centro de Ensino Médio do Gama.
No
dia 25 de setembro, primeira apresentação de ensaio aberto da peça
"Domingo sem Chuva"
-
Atores se aquecendo no palco.
-
Experimentação do cenário, que conta com projeções de imagens em um painel
branco. As imagens estão na cena inicial e na cena final da peça. Na primeira
cena as imagens nos situam em uma festa de passagem de ano de 1954. Já as
últimas imagens projetadas, nos contam através de colagens cômicas - propositalmente
aparentes -sobre a vida das personagens, suas experiências entre 1954 e agora.
-
A arquitetura do teatro, que era uma espécie de auditório, não colaborou com a
peça porque além do calor enorme, suas inúmeras portas laterais eram o tempo
todo abertas pelos alunos que estavam do lado de fora, deixando entrar a
intensa luz do sol das 13 h.
- José
Regino recebe a platéia esclarecendo que a apresentação se trata de um ensaio
aberto.
-
A platéia é formada por adolescentes do ensino médio e suas professoras. O comportamento
dessa platéia foi respeitoso de uma forma geral.
- Este
local tem uma relação afetiva com o ator João Veloso, pois ele é um ex aluno da
escola. Ao final da peça, durante a conversa com a platéia, ele fala sobre sua
escolha de profissão e aponta a professora de teatro presente na platéia como
uma de suas grandes motivações.
- Coincidiu
na cena onde as personagens fumavam maconha, de uma saída de grande quantidade
de espectadores. Poderia ter gerado a ideia de um desinteresse por parte da platéia por causa da cena. No entanto, foi
constatado que um sinal de saída da escola tocou no mesmo momento.
-
Durante a conversa:
*
A professora de teatro disse ter achado interessante que quase não havia
palavras na peça, sendo um exemplo de dramaturgia no teatro para os seus alunos
presentes.
*
Os atores e o diretor perguntou ao público se eles fossem escolher uma das
cenas para retirar do espetáculo, qual eles tirariam?
- A
maioria escolheu retirar a cena da escada. A maioria dos adolescentes
optou por permanecer a cena do cigarro
de maconha no espetáculo.
Observação I - Ensaio
Transcrição:
Es1
Ensaio
no teatro Conchita de Moraes, no dia 24 de setembro de 2015
-Interessante
perceber que os atores aos poucos começaram a fazer a base sonora com a voz
enquanto montavam o cenário, vestiam seus figurinos e arrumavam seus cabelos.
Essa base foi crescendo, assim como a organização geral dos materiais de cena, até
se constituir em música.
-Não
há uma presença autoritária do diretor. Tudo flui. Os atores se sentem a
vontade com o diretor. O diretor nunca levanta a voz.
-
O diretor os lembra de um exercício do aquecimento de voz.
-Durante
a passada do espetáculo inteiro, o diretor José Regino intervém de várias
formas e chama a atenção dos atores para a relação com os objetos de cena que
todos manejam em algum momento do espetáculo:"Colocar o objeto em cena,
tem que saber como lidar com ele"
Observação III - Ensaio
Transcrição: Es3
Imagens sobre este post estão em Exercícios para
atores e Trabalho de Ator -1
Ensaio no teatro Conchita de Moraes, no dia 01 de outubro
de 2015.
Este ensaio aconteceu logo após o primeiro ensaio aberto,
no dia 25 do mesmo mês. Os problemas detectados pelo diretor ganharam foco e
este encontro foi totalmente dedicado ao treinamento dos atores de forma a
melhorar suas performances no campo das ações cômicas. A palhaçaria, com suas
inúmeras técnicas e procedimentos, é fundamental nesse espetáculo e os exercícios
que seguem visavam o trabalho sobre as reações dos atores, o seu manejo e
relação com os adereços e objetos e a dilatação de seus corpos em cena, dentre
outros.
-Exercício de andar olhando para trás , pára e olha para
a frente.
Zé
Regino durante esses exercícios fala que está "convencido de que a ação
cômica é didática, mesmo! Ela tem que ser clara."
-Exercício com a cadeira :
Falas
de intervenção do diretor durante a execução:
"Não
se esqueça, é um exercício, não idealize, execute. O objeto agora é seu mestre,
não se oponha a ele!"
"Vocês
perceberam como vocês estão o tempo todo armados em relação ao objeto? Que em
nenhum momento estão passivos? E a relação com o objeto não pode ser
essa!"
- O diretor, em seu depoimento ao nosso grupo
de observação durante o ensaio:
"O
nosso teatro é muito proativo, e o que eu busco é a capacidade de reação do
ator. O que eu já percebi isso há muito tempo atrás, com a minha pesquisa de
palhaço, que é um lugar alógico, o palhaço não trabalha com a lógica, é um
universo alógico."
-
Agora a indicação é para que os atores continuem os exercícios propostos usando
a peruca de suas personagens. Essas são algumas de suas falas durante a
execução de tais exercícios:
"Reaja!
Brinque com as coisas que acontece, nada
acontece por acaso."
"Agora peguem mais uma peça do
figurino!"
"Não
se esqueçam dos princípios: impulso, contra impulso, trajetória e
principalmente da respiração consciente
quando você está fazendo isso!"
"Não
se esqueçam que a primeira ação de vocês é sempre ser visto, deixar ser visto!
Entrar em cena e deixar ser visto."
"Não
se esqueçam dos impulsos da trajetória, vocês são as pessoas erradas , no lugar
errado, fazendo a coisa errada!"
"O
corpo cômico, amanhã, na apresentação, eu quero ver todo mundo como se
estivesse ligado na tomada, o corpo dilatado!"
-
Ao final do treinamento e do ensaio, os atores e o diretor se reuniram para
avaliarem suas experiências:
Elisa- atriz: "Era um exercício que
esgota, mesmo, de esgotamento."
Kelly- atriz: " Faz sentido mesmo quando
a gente vai para a cena. Foi importante porque a gente não teve esse tempo de treinamento antes."
Zé Regino chama a atenção dos atores para a
apresentação do dia seguinte: "Amanhã, se permitir reagir para não ficar
acelerando a cena!"
domingo, 8 de novembro de 2015
Conversas e Reflexões IV - Sobre a FOTOsSÍNTESE.
Seria um FOTO que é SÍNTESE da personagem. José Regino em uma conversa com o nosso grupo fala como foi o processo de organização dessa idéia mencionada por ele diversas vezes nos ensaios com seus atores. José Regino conta que já escutou essa de noção de síntese em imagem em situações diferentes durante sua vida: no trabalho de arte educação, no trabalho do
Lume Teatro, em cursos e trocas com outros palhaços. Diz que percebeu também que essa
noção geralmente faz parte de uma narrativa dramática. Nos anos 80, quando ele trabalhava com arte educação escutou de uma professor que quando uma aluno
consegue construir uma foto que sintetize um tema, mesmo em exercício, isso faz com
que ele aprofunde a visão sobre o que está sendo trabalhado. Nesse sentido, eram trabalhados vários exercícios com os alunos: fazer uma cena à partir de uma foto, texto, imagem
ou de um quadro e vise versa.
José Regino observou também esse recurso de
fotografia como síntese em outras linguagens, outras narrativas, filmes. Percebeu que uma imagem age como um recurso para lembrar ao público o ponto de vista daquela
personagem, quem ela é, a origem, a situação da personagem na narrativa. Depois, durante treinamentos de palhaço, tanto com Lume e com o Marcio Libar, sempre escutava: “entre em cena e não faça nada.” Com o tempo e na prática da palhaçaria ele foi entendendo que não existe
“não fazer nada”, pois ele acredita que toda ação é carregada de intenção. Entendeu que “entrar em cena para fazer nada” é no mínimo entrar em cena
para ver e deixar ser visto.
Mais tarde, fazendo estudo sobre atuação cômica, reparou
que alguns atores sempre usavam esse recurso de retomar o estado inicial da personagem durante as cenas. Ele entendia como um recurso proposital para a audiência não esquecer
quem é o personagem, a origem, qual foi a introdução dele no drama. Observou
esse recurso sendo utilizado em cenas televisivas e cinematográfica, como a
antiga TV Pirata e nas narrativas dos filmes do Charles Chaplin. Chamava-lhe a
atenção a forma como Chaplin introduz e
exibe a figura do Carlistos na narrativa. Pensou em usar esse recurso nos seus trabalhos, pois se
o palhaço entrar com a imagem síntese de quem é ele, ele também pode lançar mão da síntese em imagem em
momentos específico e a plateia nunca vai esquecer quem é ele. Em “Quero ser
igual à ele” foi a primeira vez que o Zé
começou a usar esse recurso conscientemente e propositalmente. Na prática do
espetáculo notou que esse recurso funcionava muito bem. A plateia entende e
reconhece de imediato a figura. Atualmente ele reconhece que em qualquer trabalho
que ele faz, sempre usa a técnica da FOTOsSÍNTESE da personagem no estado inicial da narrativa,
como também usa outras imagens que sintetize as transformações que a personagem vive ao
longo da narrativa. Com isso ele percebe
que as expressões e movimentações dos personagens fazem mais sentido e ganham
mais organicidade.
A palavara FOTOsSÍNTESE veio quanto Zé estava estudando
sobre recuperação de plantas, para cuidar de suas plantas domésticas. Ele viu que é importante para as plantas se
recolherem, serem podadas para que seja possível fazer a fotossíntese plenamente
o tempo inteiro. Então, a fotossíntese intendida como um processo biológico de troca entre
a planta e o meio externo serviu como uma metáfora para o momento de exibição da
personagem em uma imagem síntese para a audiência. Uma metáfora para o momento que o ator troca com a audiência e reage de acordo com o jogo que irá estabelecer com a platéia. Foi quando ele deu o nome
FOTOsSÍNTESE.
Nesse pesquisa, José Regino também percebeu a capacidade que a foto tem de sintetizar
processos. Principalmente ao estudar a arte de grandes fotógrafos com Sebastião Salgado.Segundo ele, uma boa foto tem a capacidade de fazer uma síntese visual, estética de um momento e ao mesmo tempo a foto também amplia os significados em conceitos. Assim, para Zé
Regino a FOTOsSÍNTESE busca também ir além do momento “fotografado”, como o
resumo de um percurso no tempo e no espaço.
Observação IV - Ensaio
Observando o último ensaio realizado pelo Grupo Celeiro das
Antas, no dia 28 de outubro percebemos que algumas noções e conceitos
utilizados pelo Diretor José Regino são norteadores no seu trabalho. À partir
dessas observações, estamos identificando quais são os pontos chaves do
trabalho e aprofundando algumas
questões.
É notável que a musicalidade do espetáculo “Domingo sem Chuva”
é muito forte e marcante. Durante esses ensaios de lapidação e manutenção do
espetáculo, o grupo começa o trabalho com um aquecimento vocal e depois "passam" todo o repertório musical do espetáculo. Esse trabalho vocal inicial funciona como um
aquecimento para começar o ensaio. Apesar da fragilidade técnica musical dos
atores a musicalidade é desempenhada muito bem por eles, com as diversas funções
propostas nas cenas.Eles trabalham com a noção de grupo orquestra, usam ruídos,
sons, ambientações, usam linhas melódicas como subtexto, canção em cena, usam
músicas originais, músicas conhecidas, brincam em diálogos com frases
musicais.....Para entender melhor como a musicalidade do espetáculo é executada de forma tão diversa, iremos
aprofundar mais esse assunto e fazer um poste específico sobre as categorias de uso da musicalidade na cena.
Repetidas vezes o diretor parava uma cena para dizer para
os atores “Espera.... primeiro deixar ser vista”, principalmente quando era a
primeira vez que a personagem se apresentava ao público. Nesse momento me
recordei, imediatamente, do conceito de FOTOsSÍNTE que o diretor trabalha. Trata-se
de um momento de apresentação, ou reapresentação da personagem para o público, momento de respirar e de se deixar ser visto. Ele propõe, aos atores, uma atitude menos
pró-ativa e mais reativa. Nesse ponto, também tocamos em outra noção que o José Regino trabalha bastante: a reação como chave para a comicidade. O ator tem que dar
ênfase em reagir, pois é com a reação que ele vai mostrar o que está
acontecendo e estabelecer o jogo com a plateia. É importante não lidar como se tudo fosse
normal, sem reagir às ações. A Reação é a forma como atores/personagens
respondemos ao mundo.
O espetáculo não utiliza texto falado, contudo as
personagens principais possuem grande
complexidade emocional e psíquica, ao estilo stanislaviskiano. Mesmo que não
seja dito em texto, nos ensaios e apresentações, percebemos que os personagens tem nome, memória
dramática, emotiva e subtexto para cada ação. Na sua dissertação de mestrado,
José Regino pesquisou a construção do corpo cômico analisando os quesitos
cômicos apontados por Freud em comunhão com as técnicas de interpretação feitas por Stanislavisk. Essa é
um questão curiosa e que devemos aprofundar posteriormente. Quais foram as
técnicas utilizadas durante o processo criativo para a construção das
personagens?
Nesse último ensaio o Zé Regino definiu geograficamente o
espaço do tapete/espaço cênico. Ele delimitou, com um fita crepe no chão, um
retângulo onde seria o espaço das
personagens e das cenas. Fora desse tapete, ficam duas araras de roupas e
cadeiras onde os atores, de maneira distanciada e meta teatral, se vestem,
observam a cena, executam as músicas. Mesmo durante a narrativa da cena, se uma
ator sai do tapete para pegar um adereço, ele se distancia da personagem e só volta a ser personagem quanto o ator pisa o
pé no tapete novamente. Com esse espaço
cênico delimitado no chão, percebemos que o jogo teatral ficou muito mais claro para
a plateia, de que são atores fazendo teatro. À partir daí, José Regino também
sugeriu alguns momentos de quebra nesse jogo do tapete. Foram algumas cenas marcadas
no espetáculo em que um ator entra no tapete, olha para a plateia como ator,
percebe que tem que “entrar” na personagem e posteriormente monta o corpo da
personagem. Com essa brincadeira, eles enfatizam o jogo do tapete, proposto
anteriormente. Percebemos que a noção de fotossíntese e de reação também ficaram mais
marcantes na cena. Os atores parecem dizer à plateia: “Estamos fazendo
teatro. Eu sou um ator que estou fazendo a personagem tal. Vamos jogar?” Dessa
maneira eles convidam e re-convidam a plateia para o jogo da cena e a comicidade acontece.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Conversas e Reflexões III - Narrativa / linearidade
O eixo aqui proposto para reflexão tem como objetivo alinhar os elementos narrativos criados pelo diretor José Regino, e grupo Celeiro das Antas na escrita cênica de “Domingo sem Chuva”. Como também estabelecer os materiais “contraditórios” no processo de nossa observação.
Num primeiro momento podemos afirmar que, apesar da narrativa se estruturar em blocos seguindo a temática da “velhice”, a linearidade se preserva na apresentação da temática, na construção das personagens principais: que é um casal que é posto no asilo pela filha e genro, quando a mãe apresenta os primeiros sinais de Alzheimer e o pai com a doença de Mal de Parkinson.
É uma estrutura linear simples, não há narrativas paralelas, os protagonistas se mantém, apenas alguns recortes são realizados com o objetivo de situar o asilo como local onde se apresentam os “tipos” comuns, e que são apresentados nas cenas de “passagem”. Cenas que na transcrição de nosso material, denominamos como cenas de “transição”. Quando questionamos a denominação destas cenas para o ator e diretor musical João Veloso, ele nos explicou, que as cenas apenas foram criadas para apresentar o cotidiano de um asilo.
Nesta apresentação, usaremos apenas a denominação de cenas de “passagem” para contrapor com as cenas das “longevas”.
1- O surgimento da temática:
A partir de uma provocação do diretor ao grupo; de se construir personagens “idosos” em ações para realização de uma troca de lâmpada.
Percebeu-se, este, que no improviso dos atores, as ações de fragilidade das personagens provocavam o riso, e portanto funcionaria para o trabalho de comicidade.
2- Primeiro Argumento:
A partir desta ideia, o diretor criou uma história onde 4 amigos ainda na fase da juventude se encontram no Reveillon de 1954. A partir de um corte temporal, a cena retorna para o tempo atual, apresentando o momento de velhice destas personagens.
Percebemos que há um efeito quase cinematográfico, quando há a interrupção da cena inicial dos amigos no Reveillon para o cotidiano do casal já envelhecidos, entremeados com as cenas do cotidiano do asilo que apontam para o desfecho final: reencontro trágico-cômico dos amigos no asilo.
3- Pequenos Blocos Narrativos:
Os blocos narrativas, que também não é uma definição final, são as cenas que entremeiam a narrativa principal, e cujo objetivo é apresentar o cotidiano do asilo. Em nossa observação, denominamo-as como cenas de “transição” apenas para leitura e transcrição do nosso material.
Apesar destes blocos apresentarem uma estrutura próximo as cenas de esquetes, ainda, preferimos não conceituá-las deste modo para evitar a redução na observação e, poder assim ampliar a compreensão da estrutura narrativa elaborada pelo grupo.
4- Signos Narrativos:
Há na estrutura narrativa, alguns signos que encadeiam as cenas, como por exemplo:
a) O objeto balão:
1- que é utilizado na cena das “longevas”, fazendo referência a ornamentação do asilo para a festa junina;
2- também usado na cena de “passagem” onde dois homens idosos utilizam a escada para colocar o enfeite do balão (que foi a cena-mote que deu início a todo processo com a provocação da troca de lâmpada).
b) As músicas que marcam cenas específicas, e sons que provocam atmosferas de tensão; como pro exemplo: A batida de coração quando a mãe começa a apresentar os primeiros sinais de Alzheimer.
5- As "Longevas" : Palhaços Transvestidos
Há na estrutura duas cenas que estamos denominando como:
Longevas na reza;
Longevas preparando a festa junina.
Longevas preparando a festa junina.
Cenas estas que segundo a minha observação não seguem as mesmas características das cenas de “passagem” que apresentam personagens como tipos comuns: o velho rabugento, a fisioterapeuta impaciente, o velho conservador, o avô paciente e o neto revoltado. Nas cenas de “passagem” o elemento cômico se estrutura na fragilidade da velhice. Diferente das cenas das “longevas” cujos personagens se apresentam como palhaços transvestidos e, a fragilidade se aproxima mais da caricatura do que se é frágil. No entanto, mantém o mesmo objetivo das cenas de “passagem”: apresentação do cotidiano do asilo e provocar comicidade.
Ainda há necessidade de outras observações, discussões em grupo para uma melhor entendimento e definição destes personagens e função da cena.
7- Conclusão:
É importante ressaltar, que com a captação do material de observação, e a nossas próprias observações, estamos agora caminhando para a fase de discussões deste material, para melhor definição e categorização dos eixos temáticos.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Exercícios para atores
Transcrição: B2 - B3
Depois da experiência da primeira apresentação, e as observações da audiência, algumas mudanças na cena são realizadas com objetivo de melhor fluidez e compreensão do espetáculo.
E para está fase, o grupo retoma o treinamento de ator. O material de vídeo se refere aos exercícios de palhaço. Estes exercícios além de focar na imaginação interpretativa, junto aos exercícios stanislavskianos, trabalham os atores para a ação-reação e a força da fisicalidade no jogo cênico.
Esses exercícios estarão explicados em futura postagem, intitulada:
Anotações Escritas da Observação 2.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Material de Observação - Es1c - Es1a - Et 1
Transcrição: Es1c
Neste vídeo, podemos observar o corporal das personagens já idosas (refere-se ao casal que se conheceu na passagem do reveillon em 1954, junto com mais dois amigos).
As personagens idosas apresentam a situação comum dos idosos em nossa sociedade, como o abandono em asilos pela própria família, muitas vezes, quando estão cometidos de doenças como o Mal de Parkinson e Alzheimer.
Transcrição: Es1a - Et1
Momento de aquecimento dos atores com marcações de cenas, e pequeno depoimento de José Regino onde explica o surgimento do argumento da peça:
"Domingo Sem Chuva" e seu processo inicial de trabalho.
A pesquisa surgiu de algumas inquietações do próprio José Regino sobre a velhice, a partir daí propôs para o grupo determinadas situações de improviso. Das 20 situações surgidas nos improvisos, eles aproveitaram 12 situações para construírem um roteiro teatral.
Importante ressaltar que as observações realizadas por José Regino nos asilos e abrigos de idosos no DF, apenas reforçou a ideia que ele já tinha sobre a "velhice".
No Lar dos Velhinhos Maria Madalena - Instituto Integridade, compartilhando suas observações com a Psicóloga Dra. Isadora, segunda ela, as situações todas criadas pelo grupo são factíveis, e presentes no Lar dos Velhinhos Maria Madalena, além de muitas outras situações que poderiam ser facilmente material de pesquisa do diretor e grupo.
Primeiro Ensaio Aberto
Transcrição: C 2
O Ensaio Aberto, termo que o grupo se utiliza para denominar as apresentações para verificação do resultado do processo junto a determinada audiência.
Estas apresentações ocorrem com objetivo de limpar, cortar, definir ritmos de cenas e personagens, compreensão e reação, a partir da resposta do público, antes de estrear definitivamente no circuito cultural da cidade
Segundo o ator João Veloso, a prática do ensaio aberto, estabelece que o trabalho ainda está em processo, e que tudo pode mudar com a resposta da audiência.
O primeiro Ensaio Aberto ocorreu no dia 25 de setembro no Centro de Ensino Médio do Gama para um público de adolescentes e de professores.
Ao final, o grupo abriu para um debate, buscando opiniões, críticas e compreensão da peça: "Domingo Sem Chuva".
Obs: Procuramos não filmar estes momentos por não termos oficializado junto à direção da escola, a autorização para utilização de imagens da comunidade escolar.
Obs: Procuramos não filmar estes momentos por não termos oficializado junto à direção da escola, a autorização para utilização de imagens da comunidade escolar.
Trabalho de Ator -2 (Temática sobre a Velhice)
Momento 2-
Processo de construção da personagem seguindo a temática sobre a velhice.
Neste momento as características pessoais de cada personagem começam a se definir, somando-se à utilização de alguns objetos e parte do figurino. O diretor José Regino sempre interfere junto aos atores, ora orientando-os nas características de seus personagens, ora corrigindo-os em reações físicas e intenções que definam melhor cada personagem.
sábado, 17 de outubro de 2015
Conversas e Reflexões II - Sobre a Não Espetacularização e a Narrativa no Teatro de Zé Regino
Um
conceito citado por Zé Regino, quando das primeiras observações que fizemos do
processo, foi o da não espetacularização. Ele nos disse que atualmente buscava
a não espetacularização nos seus
trabalhos de teatro. Perguntamos o que isto significava para ele e a resposta
que nos deu foi a de que procurava criar cada vez mais um teatro próximo de
quem o assiste, acessível. Como aconteceu quando sua companhia apresentou
"Sonho de Uma Noite de Verão" em uma escola e a professora que até
então havia alimentado o desejo de montar uma peça de Shakespeare com seus
alunos mas acreditava não ser capaz de realizar tal feito, os confessou que
depois de assistir àquela apresentação percebeu que sim, seria possível. Ou
seja, a não espetacularização seria um teatro que se coloca ao alcance do
espectador, no âmbito do fruição e da produção.¹
Outro
ponto importante na trajetória do diretor e presente também na montagem que
estamos observando, é a narrativa.² Ele comentou conosco que prefere que uma
pessoa, após assistir ao seu espetáculo,
não concorde com nada do que viu do que diga que não entendeu. Isto parece
justificar a sua opção pela narrativa, que se constrói nessa montagem com quase
nenhuma palavra. As músicas cantadas à capela, as ações físicas dos atores, os figurinos e os
cenários nos contam todas as informações necessárias para embarcarmos com a
nossa imaginação na história.
É interessante notar que nessas duas opções
estéticas (a não espetacularização e a narrativa) existe uma preocupação em tornar o teatro
acessível, no sentido de que quem o receba não o veja como algo distante de sua
capacidade de fruição e realização e/ou perceba as pessoas que fazem parte
daquilo como seres "eleitos". Isso nos remete a uma frase de Amir
Haddad onde ele diz que "o teatro é a magia sem mistério", nos lembrando
que o belo nessa arte pode ser muito mais potente quando é também político, de
igual para igual, em sua forma de se apresentar.
¹ Este termo não se
encontra no "Dicionário de Teatro de Patrice Pavis", nem no "Ler
o Teatro Contemporâneo" de Jean-Pierre Ryngaert, ou no "Léxico de
Pedagogia do Teatro" de coordenação de Ingrid Dormien Koudela e José
Simões de Almeida Junior. Então resolvemos investigar a palavra em si, e o que
encontramos no Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa- 5º edição, foi:
Espetacularização:
1.ato ou efeito de espetacularizar.
Espetacularizar:
1.Dar caráter de espetáculo a.
Espetáculo:
1.Tudo que chama a atenção, atrai e prende o olhar.
² Narrar:
1.Expor minuciosamente.( Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa- 5º edição)
E
qual seria a outra forma de se falar através do teatro, que não a narrativa?
Ficamos nos perguntando, e este será assunto para o próximo post.
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