quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Conversas e Reflexões I - Conversa com José Regino sobre o corpo cômico.



Para José Regino, o corpo cômico é todo corpo construído e pensado com objetivo de provocar o riso. Atualmente, ele   trabalha com um novo conceito que antecede a construção do corpo cômico. É a presença cômica. Aquele momento em que o riso acontece, não necessariamente sustentado pela palavra, mas por meio de uma ação ou de uma reação. O momento em que a simples presença do ator/comediante provoca o riso. Para entender melhor como isso acontece o Zé propõe uma nova pesquisa: a presença cômica e o silêncio que antecede a palavra. Assim, esses dois momentos serão trabalhados e pesquisados separadamente para entender melhor a construção do corpo cômico.
Na prática, sem a construção consciente  do corpo cômico, o riso pode acontecer de forma espontânea. Muitas vezes, o ator se surpreende e pode até repetir ou tirar proveito disso. Mas infelizmente o ator muito pouco conceitua os procedimentos cômicos ou as condutas cômica utilizadas. Esses conceitos e técnicas da comicidade são visto pelo senso comum como um aptidão, um talento nato, não como uma técnica que pode ser apreendida, estudada. Muitas vezes a pesquisa nessa área é encarada como uma atividade que pode travar ou limitar o desempenho de um ator cômico. José Regino fala bastante desse assunto na sua dissertação de mestrado:  “Dramaturgia da ação cômica: o desempenho do ator na construção do riso”. Ele acredita que é possível unir a pesquisa teórica e prática para definir e aprofundar o uso das condutas e os procedimentos cômicos. Mas isso requer uma observação um treino, um estudo, um experimento intenso.
Ele aponta que em 1986 sob a luz do “Teatro Antropológico” de Eugênio Barba e seus colaboradores, ele começava a enxergar os caminhos para a construção do corpo cômico: “A criação de um “espaço” interno onde se encontram possibilidades que ocorrem além ou fora do padrão, do que é previsível. Onde o corpo é treinado além de conceitos culturais ou rótulos e definição, onde se rompe com a sua própria natureza física para se alcançar a natureza da sua própria criação. Este espaço do vazio que se amplia, para gerar espaços de ocupação autêntica”.
José Regino também aponta nessa caminhada para constução do que seria para ele o corpo cômico o seu encontro com o Lume Teatro e o que eles chamam de contato com o estado do ridículo. O importante na cena não é o que se faz, mas como se faz.
Mais tarde em contato como Mestre Zezito, José Regino entende que o palhaço deve fazer parecer difícil o que é fácil e o que é fácil deve parecer difícil. Em outras palavras, é o que ouve-se dizer comumente sobre o palhaço: o palhaço vê o mundo ao contrário. Ou: A lógica do palhaço é invertida. E essa inverção da lógica real feita pelo palhaço é fundamental para entender a construção do corpo cômico.
José Regino  aponta que o pensamento do corpo cômico vem de maneira complementar e antecede a definição das espécies de comportamento cômico realizadas em sua dissertação de mestrado. Estas são baseada em Freud, no livro “Os Chistes e sua relação com o Inconsciente” no capítulo: “espécies do cômico” onde Freud aponta condutas e procedimentos que proporcionam o surgimento do riso. Freud chama de espécies do cômico. São elas: cômico da situação, desmascaramento, paródia, raciocínio falho, justaposição simultânea, disfarce, travestimento, ironia, ingênuo, nonsense, absurdo, empréstimo cômico, personificação, formas corporais, traços faciais, sexualidade, obscenidade, mímica, expectativa, abstração, contraste qualitativo e personificação. Em sua dissertação Zé analisa melhor essas espécies de cômico à partir da montagem do seu espetáculo Bagulhar.

José Regino vem trabalhando em oficinas esses temas e tem observado que esses tipos de corpo cômico podem ser chamado de caricaturas, ou corpos caricatos. O palhaço seria um exemplo disso. Mas em sua pesquisa ele também abrange o trabalho do comediante e o ator cômico .
                    

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Alguns procedimentos para tratar o material observado

Tratando os materiais digitais (mídias) como documentos

Em nosso trabalho de observação, resolvemos definir alguns códigos para renomear os materiais com o objetivo de assegurar melhor compreensão para a  análise.

Assim, escolhemos 4 nomes que se relacionam aos campos temáticos ou semiológicos, que são:

Bastidores = B
Cena = C
Ensaio = Es
Entrevista = Et

Bastidores - agrupariam as imagens onde o grupo lidaria com figurinos, organização de cenário, avaliação final etc;
Cena - todo o material que não ocorre a interferência do diretor na cena como  as apresentações para a comunidade, seja escolar, abrigos ou asilos (ensaio-apresentação) ou um "corridão"de cenas;
Ensaio  - as imagens com interferência do diretor, trabalhos corporais, exercícios de improvisação, manipulação com objetos de cena etc;
Entrevista - O material com a fala do diretor Zé Regino/atores de forma espontânea, ou previamente combinada.

Acrescentamos mais dois elementos: os numerais e letras do alfabeto

Números 1, 2, 3 etc - significam a ordem das observações em dias diferentes.

1= primeiro dia de observação,
2= segundo dia de observação, assim sucessivamente.

Letras do alfabeto a, b e c - relacionariam com a divisão do espetáculo " Domingo sem Chuva" em partes diferentes.
a = cenas que acontecem no ano de 1954 (encontro dos amigos no reveillon).
b = cenas que fazem transições para as cenas da parte "a" e "c".
c =  cenas que acontecem no tempo atual (asilo, residência de casal idoso, filha conduzindo pais para asilo).

Exemplos: Es1a


Cena observada no primeiro dia com interferência do diretor que remete ao ano de 1954.

sábado, 3 de outubro de 2015

Trabalho de Ator -1 (Temática sobre a Velhice)

Momento 1-  
Processo de construção da personagem seguindo a temática da velhice.
Exercícios com objetos para composição da personagem: peruca e cadeira
















Material observado e descrito

Recortes dos materiais filmados




B1
Experimentação de figurino
O figurino foi concebido pelo diretor Zé Regino com colaborações estéticas do Grupo Celeiro das Antas.



Es1a
Repertório Musical
O grupo preferiu produzir os sons vocalmente de todo repertório musical do espetáculo.
Momento 1954




Es1a e 1b
Momento de transição para tempos atuais




quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Primeiras Imagens

Entrevista-1a






Cena-1a.1954


Vídeo 1 - 
O diretor Zé Regino comenta os efeitos e ideias sobre a cena inicial.
O argumento do espetáculo "Domingo Sem Chuva" surgiu de uma experimentação sugerida pelo diretor Zé Regino onde dois homens bem idosos deveriam trocar uma lâmpada, uma ação cotidiana e simples.
As ações realizadas pelos atores na condição de fragilidade e inabilidade geravam o riso. Verificou-se que  funcionava no contexto do humor físico; temática que o diretor vem estudando desde que iniciou seu trabalho como ator. Desta primeira experimentação, o grupo teatral Celeiro das Antas criou a história do encontro de dois casais de amigos numa festa de reveillon no ano de 1954. O tempo passa, e os casais se encontram depois de 60 anos coincidindo com a atualidade.


Vídeo 2 -
Atuação do ator Marcos Davi na cena inicial (reveillon de 1954).
O grupo optou por realizar seu próprio repertório musical.
Zé Regino, numa entrevista para o grupo, relatou que vem buscando o caminho da não espetacularização, conjuntamente com seus estudos sobre o humor. 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Domingo Sem Chuva

Observação: dia 24/09/2015


Algumas fotos do processo de ensaio do espetáculo -Domingo Sem Chuva-
 (sobre situações da Velhice).






segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A direção de José Regino - Algumas Notas.


Neste vídeo, uma pesquisa de Daniela Diniz,  o diretor José Regino aborda como dirige o seu grupo.
Ele parte sempre das ações físicas, e explica que dirige mais o "processo" do que  propriamente a cena. E não se preocupa com o resultado final, preza sempre o trabalho do ator.
Mais importante para ele é fazer teatro para o encontro com o outro, e para troca de experiências.
Em nossas observações constatamos de fato sua filosofia de trabalho com seu grupo teatral Celeiro das Antas.